sábado, 11 de dezembro de 2010

    Foi capaz de sentir quando os dedos finos se perderam entre os fios claros de seu cabelo, delineando-os de modo preocupado, se não até protetor. Pôde, também, sentir seu próprio corpo estremecer ao toque – Apesar de tentar ignorar essa última sensação, frustradamente.
     Sempre acontecia da mesma maneira.
    Quando seu coração permanecia opaco o suficiente para querer deixar de bater, o moreno aparecia geralmente em silêncio, com a intenção de não tocar sua ferida a ponto de o machucar. Seus dedos percorriam o mesmo caminho entre seus fios dourados, os olhos examinando-o minuciosamente, certo de que o mantinha protegido enquanto não se desviassem. De certo modo, ele estava correto. As feridas que conquistaram um lado vazio, incorrigível, dentro do loiro iriam continuar marcadas para sempre; Porém, o outro conseguia as enterrar o suficiente para parecer que todas eram inexistentes. Estranhamente, viu-se dependente do garoto. Não encontrava maneiras de evitar.
  Seu vazio era ligeiramente preenchido por um conforto, seus lábios de uma beleza infantil desenhando-se em um sorriso ao mesmo tempo em que, de repente, não se sentia mais sozinho. O vácuo era rapidamente suprido, o calor confortável rosando suas bochechas ao que os olhos se encontravam. Ambos eram repletos de uma solidão cúmplice, mas, a medida em que se confortavam, a sensação de abandono era deixada de lado.
  Não acreditava no eterno, não acreditava no sentimento. Porém, bastava que um deles acreditasse.


                                       – Pandora Hearts, Oz Bezarius.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

    Os fios cor-de-rosa se sobrepunham por cima da pele despida, contrastando-se com a palidez de seus ombros e costas. O enorme cabelo se estendia até parte de sua cintura, alguns dos fios perambulando sobre o busto a mostra. Sua genitália também permanecia exposta, porém, o corpo bem desenhado era manchado em uma única tintura vermelha: Sangue. Não se importava com a camada ensangüentada que manchava sua textura pálida, escorrendo algumas vezes por entre seus dedos e delineando sua mão. Afinal, acabara de realizar o que mais instigava sua existência – Matar, matar, matar. Era incrível como algumas vidas só faziam sentido quando roubavam a existência e a liberdade de outras. Junto do sangue, que fazia o contorno exato de sua mão indelicada, a diclonius levava consigo alguns dos sonhos destruídos e a frustrada esperança de vida de sua última vítima. Ao que os dedos se fechavam, de forma agressiva, ela sentia todos aqueles sentimentos humanos se esvaindo; Junto ao corpo sem-vida de seu dono.  Tolos sentimentos. Inexistentes.
   Ela era obrigada a se manter em silêncio enquanto sua consciência agia em forma de Nyuu. Suportava os mesmos rostos humanos todos os dias, as mesmas expressões insatisfatórias observando-a, na espera de uma palavra proferida ou de um gesto sensato, talvez. Precisava os suportar diariamente. Às vezes, não agüentava viver enjaulada por trás de sua personalidade paciente e mortalmente dócil. Ostentava o desejo de eliminar todos.

                                                 – Elfen Lied, Lucy.